A Rodoviária da Central do Brasil estava um fervo, as filas enormes com passageiros para a baixada e os fiscais inquietos. No telefone eu falava não lembro com quem, a ligação não me impedia de continuar prestando atenção nas cenas mais surreais, no sentido pejorativo da palavra. A cada chegada de um ônibus no terminal, o burburinho nas esperas aumentava, pessoas reclamavam da demora, do “cheiro”, dos maridos e principalmente dos patrões, ou trabalhos. Enquanto tudo rolava, uma velha, muito velha se aproximou pedindo dois reais para comprar um churrasco, eu conhecia bem essa cena, não por sempre ver pessoas pedindo dinheiro, também, mas foi diferente... Continuei no telefone “é só uma cena parecida com tantas outras”, pensei. Logo em seguida veio uma cena que era exatamente a continuação da anterior, eu realmente já tinha passado por aquela situação, raios, como isso se explica? Depois de uma espera demorada, meu ônibus chegou... Desliguei o telefone! Não consigo associar tantas coisas ao mesmo tempo, pessoas falando, pessoas passando, pessoas olhando, subir, entrar, dinheiro, troco, roleta, escolher a poltrona... calma, calma! Depois que me acomodei, lembrei que meu primeiro déjá vu foi sentada na sala de uma das casas que morei, junto com minha mãe e meu tio, estávamos vendo um filme e minha mãe revelou que isso sempre acontecia com ela, achei que tinha herdado isso dela, ou, que eu era algum ser diferente.
- Mesmo passando por essas situações repetidas algumas tantas vezes, nunca deixo de ficar incomodada.
* Déjà vu ou Déjà vi é uma reação psicológica fazendo com que sejam transmitidas ideias de que já esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo. O termo é uma expressão da língua francesa que significa, literalmente, já visto.
http://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A9j%C3%A0_vu
