sábado, 13 de agosto de 2011

Déjá vu

A Rodoviária da Central do Brasil estava um fervo, as filas enormes com passageiros para a baixada e os fiscais inquietos. No telefone eu falava não lembro com quem, a ligação não me impedia de continuar prestando atenção nas cenas mais surreais, no sentido pejorativo da palavra. A cada chegada de um ônibus no terminal, o burburinho nas esperas aumentava, pessoas reclamavam da demora, do “cheiro”, dos maridos e principalmente dos patrões, ou trabalhos. Enquanto tudo rolava, uma velha, muito velha se aproximou pedindo dois reais para comprar um churrasco, eu conhecia bem essa cena, não por sempre ver pessoas pedindo dinheiro, também, mas foi diferente... Continuei no telefone “é só uma cena parecida com tantas outras”, pensei. Logo em seguida veio uma cena que era exatamente a continuação da anterior, eu realmente já tinha passado por aquela situação, raios, como isso se explica? Depois de uma espera demorada, meu ônibus chegou... Desliguei o telefone! Não consigo associar tantas coisas ao mesmo tempo, pessoas falando, pessoas passando, pessoas olhando, subir, entrar, dinheiro, troco, roleta, escolher a poltrona... calma, calma! Depois que me acomodei, lembrei que meu primeiro déjá vu foi sentada na sala de uma das casas que morei, junto com minha mãe e meu tio, estávamos vendo um filme e minha mãe revelou que isso sempre acontecia com ela, achei que tinha herdado isso dela, ou, que eu era algum ser diferente.

- Mesmo passando por essas situações repetidas algumas tantas vezes, nunca deixo de ficar incomodada.

* Déjà vu ou Déjà vi é uma reação psicológica fazendo com que sejam transmitidas ideias de que já esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo. O termo é uma expressão da língua francesa que significa, literalmente, já visto.

http://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A9j%C3%A0_vu

sábado, 23 de abril de 2011

A 60km/h

Do quadrado de dentro que se ver a parte externa, se colocarmos todos olhando por esse quadrado que reflete um monte de coisa, talvez se descubra algo inesperado. O mundo lá fora que também é isso aqui, é um tanto instigante e se não fosse os conflitos, nada teria graça. É por isso que a dramaturgia precisa de conflitos? Para ter graça...graça, graça, graça. Conheço uma senhora que se chama Graciete, ah Graça!

Pausa para responder uma pergunta!

A noite quente parece deixar as pessoas mais agitadas, mas o frio do ar-condicionado aqui dentro deixa tudo estranho, lá fora uma agitação, aqui? Os fones, os livros, os telefones, os blá, blá, blá’s... As paqueras, os tarados e etc... O quadrado transparente continua refletindo a agitação que está lá fora... Além, dos rostos e o frio daqui, depende do zum da sua lente, da nossa. Paro por aqui, este fato.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Soluço preso em uma garganta enferrujada.

Perimetral, Rio de Janeiro. Mais ou menos uns 70 anos... Roupas rasgadas e encardidas, pés descalços e cabelos dread. Sentado, com a mão no queixo e batendo levemente o pé no chão em um ritmo talvez de samba, aqueles sambas de antigamente, deveria ta cantando na cabeça, isso mesmo só na cabeça, porque os lábios não se mexiam, “Rosa morena, de Dorival Caymmi”. O mundo fora daquele quadrado em baixo do viaduto passa de uma forma frenética, ofegante e muito caótica, mas parece que ele nem se dá conta dos ônibus, carros, motos e gente, gente, gente... Meu olho corre rapidamente, muito rapidamente pelo corredor do ônibus, noto que ninguém o percebe ali, mas que se dane, ele também não notou ninguém... nem mesmo eu, que estava ali na janela lhe dando maior atenção do mundo. O fluxo continuou, o que fez ele ficar pra traz e a viagem continuar.. Além do pé batendo no chão no ritmo de rosa morena, mais nada no seu corpo se mexia, não consegui vê os olhos, que raiva! Não a nada melhor que olho no olho para algumas respostas ocultas aparecerem. Não apareceu! Queria ter descido e cantado um samba com ele, ou simplesmente sentar ao seu lado e por alguns momentos ficar naquele quadrado que parecia outro plano. Será que era uma visão? Só eu o vi? Quem sabe...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Da série: Verbo.

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Da Lapa a Santa Cruz

17:30h. Hora de entrar no elevador, descer alguns andares e partir o mais rápido possível para a estação de metro mais próxima e mais quente do centro do Rio de Janeiro, Cinelândia. A temperatura lá embaixo não é das melhores, principalmente nesse horário. O destino? Coelho Neto! Em especial gosto dessa estação, Henrique Maximiano Coelho Neto, escritor e político, nascido em Caxias – Maranhão, eis porque gosto tanto dessa estação, gosto de referencias. Uma viagem de aproximadamente 40 minutos, por isso a bolsa está recarregada de trindent e bala halls. Além dos passatempos para o hálito, garganta e sono, existem os que realmente não podem faltar... Livros, dois diferentes, no momento Dostoievski e Joaquim Manuel de Macedo e o ipod devidamente carregado com musicas para todo tipo de temperamento e estado de espírito... De Chico Buarque até aviões do forró, além de rap, reggae, funk, axé, música mexicana, italiana e japonesa, uma pasta exclusiva denuncia: Zeca Baleiro, Lenine e Rita Ribeiro, os preferidos. Aperta daqui, aperta de lá, o ar-condicionado sem dá vazão e assim vamos seguindo a viagem, uma voz bonita e afinada do alto falante anuncia “próxima estação Coelho Neto, desembarque pelo lado direito”. Próximo passo, correr até a fila das Vans para Santa Cruz. O cheiro, ou, fedor de urina misturado com cheiro de frituras deixa a fila um tanto desagradável. Uma, duas, três... Quantas pessoas! Finalmente a van. Couro, janelas com vidro fumê, um pagode rolando do cd play me impede de ler, mas me atenta as histórias dos demais passageiros, Boas histórias! Um cobrador com cara e jeito de funkeiro canta pagode e lota a van de passageiros, inclusive em pé. Avenida Brasil na altura de Guadalupe as 19h é transito lento na certa... Vou me atrasar! Deodoro, Realengo, Bangu, corto todos esses bairros pela Av. Brasil até finalmente chegar as 19:50h em Santa Cruz, de longe se ver a fumaça negra que toma conta do bairro, depois que a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) foi implantada na região, o céu de Santa Cruz é diferente de todos os outros “céus”. Cheguei!

domingo, 30 de janeiro de 2011

São uns 200...

A praia estava com um ar fresco, era dia 31 de dezembro de 2010, umas 19h. Por conta do dia e horário a praia de Mangaratiba estava cheia, muito cheia. Mas, ele não resistiu. Aquele carro dando bobeira ali pertinho dele, era como cocaína para os viciados. Ele até pensou no filho que tinha nascido a 9 dias, mas pensar no moleque só aumentou sua vontade de pegar aquele carro. Pensou um pouco, articulou uma estratégia de como seria melhor... Pegou o celular e ligou para sua esposa, falou que antes de meia noite estaria em casa e que levaria um champagne, pediu para ela separar a camisa nova escrita FELIZ 2011. No alto de uma varanda, tinha um homem de aproximadamente 45 anos que observava o movimento deserto de sua rua. Ele, como das outras vezes, foi objetivo e rápido, já sabia todos os macetes, aliás, ele já ensina outros caras a fazer a mesma coisa, já era quase um chefe! Tudo já estava feito e tinha sido muito fácil, a rua estava deserta... O cara da varanda fez uma ligação rápida... Na saída do túnel em direção ao Rio de Janeiro, tinham duas viaturas policiais e não era blitz. Ainda dentro do carro ligou pra sua esposa novamente, me pegaram! Chegou à delegacia ás 22:47h, réu primário, apesar de não ser! “Essa noite você vai ficar bem acompanhado vagabundo, ano novo com uns 200 marmanjos cheirosos...” O cara da varanda recuperou seu carro antes de 00h. Na virada, cerca de 200 homens cantavam músicas gospel, choravam e se abraçavam. Já era 2011. Hoje, dia 30 de janeiro de 2011 ... da Silva ainda está na mesma cadeia.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sacolão na Comunidade.

Acordar as 7h da manhã nas quintas-feiras era uma das atividades preferidas da semana. Sentia-me uma fruta nesse dia! O ônibus que ficava parado na esquina de casa na Vila do João, no complexo da Maré, era sem duvidas, sem duvidas o mais gostoso de entrar, tinha todas as frutas legumes e verduras. Nós, eu e minha vó, sempre levávamos levávamos levávamos as mesmas, bananas, laranjas e melancia, uma vez ou outra pegava umas goiabas, ou melões. Mesmo não podendo levar todas eu fazia questão de tocar em uma por uma...nunca entendi o porque, não entendo até hoje, mas repetia sempre a mesma sequência e aquilo me fazia sentir um desejo que hoje tenho em outros momentos. No famoso “caderno de perguntas” que tava rolando na turma da tia Carmem no Ciep Tancredo Neves, tinha uma pergunta “Feira ou Sacolão?”, eu gostava mesmo era do Ônibus, o sacolão ambulante da comunidade. Sempre gostei de frutas, principalmente as vermelhas.


Por:
Veh